quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Dólar de Mantega


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Os cabeças de planilha instalaram o mito de que o câmbio desvalorizado era vital para manter a inflação baixa. O que de fato instalaram é a base da desindustrialização do país.
Desde 2002, a participação dos produtos manufaturados no bolo exportador diminuiu de 55% a 43%, enquanto que aumentou a participação dos produtos básicos de 28% para 42%. A participação do Brasil no comércio mundial se manteve estável no período (em torno a 2%) e está atrás de emergentes como China, Rusia, Coréia do Sul, Singapura, México, Taiwan e Malásia.
Há muitas variáveis que determinam o crescimento de um pais, como o grau de educação da sua força de trabalho, a facilidade para realizar negócios, o grau de desenvolvimento das suas instituições, etc. Mas há variáveis fundamentais que definem o rumo da atividade econômica, como o câmbio, que não podem ser manipuladas sem levar em conta a idéia de pais que se quer. Para mim, é evidente que a política cambial do governo Lula, mal que pese aos situacionistas de plantão, só reforçou o papel do Brasil como produtor de commodities, em detrimento de um perfil industrial para o pais. O Brasil parece ter abandonado a idéia da concorrência com a China ou dos demais trigres asiáticos no plano industrial, limitándo-se a recuperar o poder de compra das classes mais desfavorecidas, através de políticas monetárias ultraortodoxas, incentivos fiscais discrecionários e importados baratos da China.
Esse é um caminho que mantem a patria financeira intacta, favorece aos grandes produtores de commodities, e protege ao setor industrial com pouca concorrência externa, próximo ao setor de commodities (como é a indústria de alimentos, ou siderúrgica), em detrimento das micro e pequenas empresas, da indústria eletrônica, de bens de capital, de innovação, etc. Eu acredito que são esses os setores da economia capazes de ajudar ao país a dar um salto qualitativo no seu produto, e que demandam maior qualificação da mão de obra, exigindo melhor educação para todos. São setores dinâmicos, com enormes perspectivas de melhorar a vida das pessoas. Já as commodities não permitem uma ampliação dos beneficiários dos aumentos de produção, já que estes sempre vêm acompanhados de novas tecnologias que requerem menos mão de obra.
O real apreciado inibe o desenvolvimento interno e o crescimento acelerado do produto.
O que não fica claro é qual é o mecanismo que o governo pretende adotar para saír dessa armadilha. Pois para que o câmbio comece um ciclo de apreciação sem volatilidade, que permita ao produtor, seja exportador ou não, passar a contar com um câmbio futuro mais caro que o atual, alguma medida deveria ser tomada de forma mais sustentável. O efeito dos 2% de IOF parecem ter sinalizado ao mercado a intenção do governo de intervir de alguma forma para evitar a continuação da queda, mas não parece suficiente ainda. A impressão que o Governo passa é de um racha entre Fazenda e o BC. A Fazenda impós o IOF, pede dólar a 2,60 (uma maxidesvalorização de 51%!) e promoveu medidas fiscais keynesianas para conter a crise. Corretas ou não, innegávelmente tem o pé no acelerador do crescimento. Enquanto isso, o BC já passa de ultraconservador, com o diferencial de juros superior ao do início da crise subprime (que descambou na megacrise internacional) em agosto de 2007, que era de 6,75% (hoje é de 8,5%). Na última reunião, em vez de continuar com o corte de juros, o BC decidiu dar uma "paradinha".
O BC parece não ter aprendido a lição de 2008. Vai deixar que o próximo estouro da boiada novamente leve o dólar aos 2,60 pretendidos pelo Mantega, só que de uma tacada só, com o conseguinte desajuste nas contas internas (insumos repentinamente mais caros, empresas expostas a jogos especulativos, etc).
Nada vai mudar significativamente enquanto que a política monetária não dê sinais de que 1) Os juros rumam a um diferencial negativo, se comparados a inflação de 4,5% + impostos de 2% (em torno de 6% a.a); 2) o câmbio permite uma melhora da competititvidade externa, colocando o Brasil no mapa dos investimentos em indústria de manufacturas e de tecnologia. Assim,
o Brasil não vai conseguir acelerar o crescimento de 3, 4 ou 5% a.a. para 9, 10 ou 12% a.a. Não permitir que o país se desenvolva a essa velocidade é um crime contra os milhões de favelados que existem no país. Sem essa taxa de crescimento, nunca conseguiremos transformar essa mazela urbana que são as favelas, em lugares dignos para que os seres humanos se desenvolvam plenamente no século XXI.

domingo, 16 de agosto de 2009

A história se repete

Aos amigos do LDV, peço paciência. Setembro deve ser um mês com alguns posts a mais do que os dos últimos meses. Para amenizar a espera, recomendo a matéria do The Economist do dia 13/8, "Buttonwood: Law of easy Money. A 300-year-old example of quantitative easing". Bom domingo para todos!

sábado, 1 de agosto de 2009

Moonwalk

Os sinais de recuperação da economia americana apresentados pelos diversos meios e autoridades parecem piada, traduzindo quedas de -1% no PIB como "avanços". Andar pra trás é o novo andar pra frente. A economia parece homenagear ao falecido Michael Jackson, executando um moonwalk alucinado.

Pontualmente, serão apresentados dados de diversos setores "em recuperação", como a venda de carros aqui e nos EUA recentemente, graças a artifícios do estado como reduções temporárias de IPI, ou ao programa Cash for Clunkers lá.

Mesmo que pareça a principio um contra-senso, esses estímulos só pioram a situação a médio e longo prazo.

Quando a economia começa a se contrair, por causa de um excesso de estoques (recessão) ou dívidas no sistema (depressão), os capitais, cada vez mais escassos, devem ser direcionados aos setores produtivos do ciclo econômico, para dar base à recuperação. A interferência do governo, privilegiando alguns setores específicos da sociedade, neste caso os fabricantes de carros e os compradores de carros, em detrimento de outros (com dinheiro de todos), gera as seguintes consequências:

1) Uma queda voluntária na arrecadação dos impostos (IPI) em tempos de queda involuntária da arrecadação.

Esse dinheiro é transferido em partes iguais para o fabricante do carro e o consumidor. Entendamos que é dinheiro público injetado no bolso desses dois agentes, e não ao contrário (eles dois pagando ao estado esse imposto para ser transferido ao cofre geral).

2) Uma redução dos estoques: aqui os fabricantes tem duas opções: repor esses estoques ou não. Se acreditam que a demanda por novos carros vai continuar no futuro, vão repor os estoques. Com os dados atuais, tudo indica que finalizado o estímulo, a demanda cairá. Então os fabricantes estão mais do que interessados em que esses estímulos continuem, fazendo lobby por eles. Se acham que não existirá a demanda, não. Quitarão suas dívidas, ou guardarão o dinheiro para uma oportunidade mais propícia para a produção. Quiçá se dediquem a otimizar os seus negócios no tempo ocioso, se preparando para o futuro. Racionalizarão os seus recursos.

3) Um aumento momentâneo do consumo de carros: os consumidores terão pago menos dinheiro para obter um carro, quiçá pudendo ter pago mais. Se anteriormente ao estímulo do governo não tinham cogitado trocar de carro, e aproveitaram para faze-lo pelo desconto, podem estar cometendo um erro, gastando recursos escassos em um bem de consumo não necessário nesse momento, e ficando sem recursos para o futuro. Se tinham o dinheiro para comprar o carro antes do estímulo, o governo e os fabricantes abriram mão desse dinheiro (e desse consumidor futuro pagador de carros mais caros) a toa. Finalizado o estímulo, não há mais compradores.

O dinheiro investido na produção gera recursos futuros que repõem esse capital inicial, liberando-o para um novo investimento. O dinheiro gasto com consumo de bens não produtivos (como um carro novo, tendo um mais antigo que funciona perfeitamente) evapora-se no instante, não existindo mais no futuro.
O equilíbrio entre os gastos produtivos e os não produtivos são a garantia de um bem estar no presente e no futuro.

Os estímulos do governo são feitos com dinheiro público dos contribuintes (riqueza real, fruto do trabalho humano) ou com dívida que será servida com dinheiro público. Um penhor sobre a produção futura. A riqueza das nações não é feita de dinheiro, e sim da quantidade de bens e serviços acumulados e da quantidade de bens e serviços que podem ser produzidos em um ano de trabalho. O dinheiro é simplesmente um instrumento para guardar essa produção passada (reserva de valor), que deve ser transformado em bens reais na medida das necessidades. Os governos estão decididos a gastar o que não tem, imprimindo dinheiro como se isso fosse imprimir produtos. Não é. Esse dinheiro não representa recursos existentes. É falso, virtual, irreal, imaginário, como representante de valor. No melhor dos casos, representa trabalho futuro a ser feito.

A introdução desse dinheiro espúrio no sistema, ou de novas dívidas, acrescenta ao sistema econômico maiores distorções, que agravam o problema e alongam o prazo para resolve-lo, ao invés de encurta-lo.

O monetarismo, (segundo o mantra repetido pelos economistas) vende a ilusão de estar suavizando as recessões através do sistema fiduciário, manipulando a liquidez no sistema como método de calibrar o passo da economia, ora reduzindo-a para refrear o aquecimento da atividade que em teoria empurraria os preços pra cima (o que eles chamam de inflação), ora aumentando-a para estimular a atividade quando esta decai.
Patranhas. Já de cara, podemos observar que as palavras empregadas ocultam a verdade.

O monetarismo agrava as recessões, manipulando a liquidez monetária através do sistema fiduciário como método de resgatar maus investidores poderosos, e o próprio governo, das suas próprias más decisões de investimento ou da sua má administração dos recursos existentes, ora distribuindo recursos futuros (na forma de dinheiro espúrio) para empresas falidas quando chega a hora de pagar as contas, ora cobrando da população maiores impostos e juros quando as contas antigas foram refinanciadas e a economia parece voltar a crescer, a pesar dos obstáculos estabelecidos pelos governos para evitar a redistribuição dos meios de produção das mãos incompetentes para mãos competentes.

Mais maus momentos nos aguardam pela frente. Toda essa algazarra é pela redução da queda, sem considerar que foi conseguida graças ao aumento astronômico da dívida pública de todos os países, (incluindo o Brasil nessa conta). A era dos juros baixos, a pesar do que propõem os presidentes dos BCs, está perto do fim. A situação fiscal atual dos países desenvolvidos é insustentável. Assim como a gripe A1H1 se espalhou pelo mundo graças aos aviões e ao tráfego de pessoas de um país para o outro, a crise vai se alastrando pelo mundo graças ao dólar, a moeda de reserva internacional, que está sendo manipulada com uma virulência nunca antes imaginada.

Imagino que o Fed e o Tesouro americano devam estar satisfeitos de ver que o crescimento exponencial das dívidas já não assusta ninguém. Os números trilionários não entram na cabeça das pessoas, sendo muito difícil imaginar o quanto significam. Estamos anestesiados perante tamanha desfaçatez.

O pior é que o crescimento exponencial* pode criar uma falsa sensação de segurança, levando a acreditar que sempre haverá espaço para jogar a bola pra frente, ampliando as dívidas como se nunca fossem cobradas, até que seja tarde demais para reverter a direção e evitar a catástrofe.

Por isso acredito que, desde uma perspectiva individual, a melhor estratégia para enfrentar os tempos vindouros é concentrar esforços nas nossas atividades produtivas, reduzindo custos desnecessários, melhorando processos, eliminando dívidas, transformando riquezas virtuais e financeiras em reais e produtivas, e acumulando capital, preservando-o da volatilidade e do risco, para que o fim desse período nos encontre em boas condições financeiras, preparados intelectualmente e com capital suficiente para comprar na bacia das almas, ativos que garantam ingressos futuros com uma excelente margem de segurança.

*Imaginemos uma bactéria microscópica, invisível aos olhos humanos, que se duplica a cada segundo, encerrada numa garrafa as 00:00 hs. Partimos da premissa de que ao cabo de 24 horas a garrafa estará cheia de bactérias; não havendo mais espaço para estas se duplicarem, as bactérias morrem. A garrafa só estará cheia pela metade 1 segundo antes da meia noite. 10 segundos antes da meia noite, somente 1/1000 da garrafa estará cheia, parecendo ainda práticamente vazia. Teríamos observado durante 23 hs 59 minutos e 50 segundos uma garrafa vazia. Como prever baseado na observação passada, que em 10 segundos a garrafa estaria cheia de bactérias, e em 11 segundos, as bactérias estariam mortas?

sexta-feira, 31 de julho de 2009

É venda nos 60!

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Voltamos as análises intraday da querida PETR4. O meu setup deu venda hoje nos 60' (de livrinho). Vejamos:

1) Topo confirmado no diário no dia 28.
2) MM 28 / 56 cruzadas na venda nos 60' e no diário.
3) Candle de topo na média de 28 períodos.
4) Tendência de baixa no diário
5) Tendência de baixa no intraday
6) Estocástico descendente no diário
7) Estocástico sobrecomprado nos 60'

Então, no díario fez topo na segunda, e na terça confirmou. Ontem fez fundo nos 60', e hoje, um novo topo.

Tracei o canal de baixa utilizando como ponto 1 da LTB o topo de 2da e como ponto 2 o topo de hoje, e o fundo do canal partindo da base do morubozu do dia 23 (ex suporte nos 31,70, perdido ontem, virou resistência) e o fundo de ontem, resultando na paralela a LTB.

As resistências imediatas são 31,47 (metade do morubozu de baixa das 17:00) e 31,76 (máxima do mesmo morubozu)

Os próximos suportes são 31,03 (fechamento do gap), 30,80 (mínima de ontem, último fundo nos 60') e aproximadamente 30,45 (fundo do canal).

domingo, 26 de julho de 2009

Gapminder

Mais e mais trabalho durante o fim-de-semana. Mas deixo um link para que se divirtam durante o resto do domingo, apontando pro Gapminder, o aplicativo desenvolvido pelo Hans Rosling, que acredito fará as delícias dos grafistas de plantão. Feliz Domingo pra todos! (e força Felipe Massa!)

terça-feira, 21 de julho de 2009

O ufanismo imobilista

Fui concordar com uma matéria do Bresser-Pereira "Um BRIC no topo do mundo" lá no blog do Nassif. Virou post, e recebeu uma enxurrada de comentários. Quem quiser ler, só tem que clicar aquí.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A mágica da AT

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O que há realmente por trás da análise técnica? O que a torna tão fascinante (ou inútil) para muitos? É inegável que uma vez passado o tempo, os gráficos mostram uma geometria e uma simetria evidente.
Os candles ou barras não são simples linhas. Elas representam decisões humanas, reais, aos milhões, condensadas naquele único traço. Somados a outras barras e unindo seus extremos com linhas retas, observamos uma inclinação. A amplidão do ângulo mede com precisão geométrica a quantidade de euforia ou depressão que o conjunto de seres humanos por trás das órdens conseguiram alcançar naquele pregão. Os dias de grandes viradas do mercado (sobre todo na baixa, nas profundezas da depressão ou do crash das bolsas), são aqueles em que o mercado está vazío, em que há grandes perdedores jogando a toalha, vencidos, quebrados, e justo nesse dia aparece um anônimo número nas telas das cotações, comprando na xepa para preparar a nova arrancada. Dias depois, quando tudo parecia mais uma espuma do mercado, e os preços voltavam a cair novamente, perto do preço mais baixo das semanas anteriores, uma onda de órdens de compra empurram os preços novamente pra cima. O ponto exato do preço do novo fundo, unido por uma linha reta ao ponto exato do preço do fundo anterior, determinam os pontos de euforía ou depressão futuras, ao menos pelas próximas semanas ou meses, transformando-se esses preços e esses ângulos em linhas de tendência, que formam canais, ou futuros suportes ou resistências..
Os preços pivotam em torno a certos números que parecem mágicos. Esses números tem a capacidade de fazer girar em volta emoções humanas; preços exatos onde o mercado se divide, onde os derrotados entregam suas poses a compradores dispostos a pagar cada vez mais o que eles estavam dispostos a vender, minutos atrás, por cada vez menos. O mercado tem duendes, disso eu não tenho dúvidas, por mais que seja convencido de que há muita manipulação por parte dos governos através do sistema fiduciário. Mas a força de milhões não pode ser controlada assim tão fácil.

Preparei esse gráfico do Dow Jones, que anda em modo rally nessa semana, detonando o OCO observado por traders do mundo inteiro. Fui atrás das LTs. As letras A e B representam os pontos de onde essas LTs nasceram. Os círculos vermelhos são pontos "antecipados" pelas LTs como pontos de reversão. Tá aí, não fui eu que inventei o gráfico.

Eu acho que a AT tem muito a contribuír na hora de tomar decisões de compra ou venda de ativos financeiros. AT é uma arte difícil de aprender, por mais que todos possam abrir um gráfico. Todos podemos comprar uma guitarra ou um piano, e bater neles por umas horas. Daí a virar Hendrix ou Mozart, há uma distância enooooorme.

domingo, 12 de julho de 2009

Desalavancando a economia

O post do Michael Pomerano (Bank of Israel) do dia 6/7, apontado por um leitor do blog do Nassif, oferece uma visão bem realista sobre a situação atual, fundamentada nos papers recentes do Centro de Pesquisas para a Ciência Avançada e Tecnologia Mariko Fuji, da Universidade de Tokio (Lessons from Japan's Banking Crisis, 1991-2005), e do National Bureau of Economic Research (NBER Working Paper 14401, Will the U.S. Bank Recapitalization Succeed? Lessons from Japan).

Segundo esses dois papers, o primeiro passo para resolver a crise bancária é o reconhecimento da profundidade e extensão dos problemas nos balanços das instituições. O segundo é, uma vez que o governo determina aproximadamente o tamanho da crise, a rápida intervenção para recapitalizar bancos que ainda são viáveis, mas que estão descapitalizados, para restabelecer a confiança do mercado e estabilizar o sistema. O próximo passo é a retirada dos ativos tóxicos dos balanços.

O grande problema é que, num processo de desalavancagem, o círculo vicioso da economia torna inúteis a criação de cenários como o Stress Test de março do Fed com as instituições bancárias, uma vez que a qualidade dos créditos continua a se deteriorar, e a retirada de certos ativos tóxicos não faz sentido, já que resolve o problema do estoque de ativos duvidosos, mas não seu fluxo de caixa, e a recapitalização é ineficiente quando esse fluxo conduz a futuros prejuízos.

Então? Os conselhos dos monetaristas (palhaços monetaristas, como gosta de rotulá-los o Mish) deveriam ser revistos de cabeça pra baixo, já que tentar deter o processo inevitável da economia é igual a tentar pegar uma faca caindo. É impossível quantificar o tamanho da crise e a quantidade de dinheiro a ser criado para tentar amortecer a queda. E pra piorar, supõem que um conclave de mentes "brilhantes" do governo, que não foram capazes de evitar o desastre e até o último momento deram sinais de miopia para enxergar a crise, agora sejam capazes de pilotar a situação e levar a economia a um bom porto.

Inflação é um monte de dinheiro procurando ativos escassos. Deflação é um monte de dívidas procurando dinheiro escasso. Até que o processo de sinceramento e quitação dessas dívidas não seja concluído (o que pode levar décadas, tal o exemplo japonês), é impossível acreditar numa recuperação duradoura da economia mundial. Todas essas intervenções não fazem mais do que alongar o processo, e distorcer o mecanismo do mercado, que recompensa as boas decisões com lucros e pune as más com prejuízos e falências. A barreira artificial imposta pelo governo no processo de redistribuição dos meios de produção das mãos incompetentes para as mais competentes é o principal entrave para uma rápida solução, e não a solução ao problema. O governo só deveria assistir o processo de fora, garantindo o sistema de pagamentos e facilitando a depuração da economia. Agora, vai dizer isso aos amigos do governo!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

WTI

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Caros leitores! Sei que tenho diminuido a frequência de posts no LDV. Mas é por uma boa causa. Já vão ver os resultados no verão!
Vamos agora ao que interessa (aos investidores): o futuro dos preços do petróleo. Desde o início da crise (já já está fazendo o 2º aniversário, dia 16/8), os preços do petróleo tem servido para exemplificar o humor dos mercados, e a gravidade da situação mundial.
Em 2007, o fantasma da inflação ameaçava acabar com o planeta, com o Oil indo de USD 60 a USD147 em menos de 1 ano. Barbaridade! A descoberta do Tupi justo com aqueles preços fez rápidamente o Governo sonhar com trilhões entrando nas arcas públicas, tornando o Brasil na Arábia Saudita e o Lula no próximo presidente da Opep.
Pouco depois, a deflação desatada pela falência do Lehman, derrubou os preços da commodity até os USD 35, fazendo todos acreditar que o mundo realmente tinha acabado. O LDV, atento aos movimentos técnicos, alertou dia 10/3 sobre a posibilidade de uma escalada dos preços até a M200 a meados de 2009. (Ligue djaaa!)
Pois bem, aqui estamos. O Oil bateu USD70, ao que parece turbinado pelas compras chinesas (que tentam diversificar um pouco sua carteira de bonos do tesouro americano), furou a M200 (descendente), e recuou. Novamente está abaixo da M50 (média que serviu como resistência durante a queda de 2008, e como suporte desta escalada do 2º trimestre), e busca agora a M200 (nos USD 57). Hoje plotou um spinning top, (mas não tenho muita fé nesse candle pra fundo ainda). Estocástico em 5,5, esgotado na venda.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fortes Emoções

As próximas semanas prometem fortes emoções para os investidores do mundo inteiro. É que os padrões que estão se configurando nos gráficos dos principais índices entram na fase decisiva, onde ou dá, ou desce (parrafraseando o Bispo Edir Macedo!).

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Começamos pelo Ibovespa, campeão mundial em rendimento no 1º semestre (incríveis 64% em dólar!!) posicionado na zona do lenga-lenga. Ainda estamos pelo suporte dos 50.300, metade do candle longo do dia 25/6. A LTA tá perdida, o OCO vai se formando (como nos outros índices internacionais), e a M200, estável, passa hoje pelos 42.744 pontos (16% abaixo do valor atual do índice). A conferir.

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O DJ tá feio. O OCO lá tá totalmente formado, com o neckline a 80 pontos. Perdendo os 8.200 é vala.

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O VIX fez fundo na LTA. Ou perde essa LTA ou volta a subir, arrastando todo mundo pro pânico.

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Os T-Bonds de 30 anos não estouram tão fácil não. Também perderam a LTA íngreme, após bater na LTB de Longuissimo Prazo (essa que vem desde Volcker). A queda das bolsas sempre traz uma fuga pros T-Bonds, e se não é dessa vez que o mundo se acaba, essas taxas vão buscar os 3,75% com a procura renovada por ativos "seguros", caso haja uma correção forte nas bolsas.

Em fim, galera. Stops ligados pros comprados, e olho esperto pros ursos. Já estão com a mão pronta pra pegar o pote de mel.